Processos de descolonização na curadoria da programação de instituições culturais
Caelí da Silva Gobbato
Resumo
Este trabalho procura analisar processos de descolonização na curadoria da programação do Instituto Moreira Salles São Paulo (IMS Paulista), que tem como principal programação exposições no campo das artes visuais. O período da pesquisa está compreendido entre janeiro de 2021 e abril de 2025 e busca refletir sobre o que se investiga como Arte Anticolonial ou Estética Decolonial (Gómez; Mignolo, 2012) e o contexto no qual artistas e agentes culturais negras/os e indígenas trabalham em diálogo e/ou disputa com representantes da branquitude para compor a programação de instituições culturais. Propõe-se problematizar a estrutura da colonialidade em curso e os elementos que compõem os processos de descolonização através de análise de aspectos como raça, gênero e naturalidade/nacionalidade das pessoas participantes das equipes curatoriais das programações e dos artistas que as compõem, bem como do conteúdo ou tema central de cada item da programação analisado. Os processos de descolonização são percebidos ao mesmo tempo que é percebida a manutenção da colonialidade do poder (Quijano, 2005) num ambiente repleto de contradições e ambiguidades.