Representação da Cultura Coreana no Brasil Contemporâneo: os desafios da sensibilização cultural diante do orientalismo
In Sung Park
Resumo
Este artigo analisa as representações da cultura coreana em produções midiáticas, manifestações culturais, redes sociais e ações de marketing no Brasil (2020–2025). Situa o tema na ascensão da Hallyu (onda coreana) e na difusão digital (Netflix, YouTube e plataformas sociais), examinando como a maior visibilidade convive com limitações de enquadramento e desafio de mediação. Como caso central, discute-se a inclusão do termo “dorama” pela Academia Brasileira de Letras (2023), que catalisou debates sobre homogeneização cultural e apagamento de especificidades históricas. Analisa-se também campanhas e iniciativas mercadológicas — especialmente no segmento de cosméticos e consumo — que instrumentalizam referências “K”, evidenciando o risco de apropriação e espetacularização. Com base em Stuart Hall, Edward Said, Antonio Gramsci e outros teóricos, o artigo problematiza relações entre representação, identidade, apropriação cultural e orientalismo, indicando implicações éticas e políticas para uma mediação cultural responsável num cenário globalizado e pós-colonial.